Mensagem do Presidente: Covid-19.

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Quando voltar a atender os pacientes com DRGE e outros distúrbios digestivos?
Os exames realizados em laboratórios de motilidade não têm urgência ou emergência. Porém temos que nos preparar para começar a fazer exames após esta fase de isolamento inicial e retorno da estabilização, causada pela diminuição da demanda de utilização de UTI´s nos diferentes locais de nosso país, podendo assim utilizarmos a estrutura existente para outras doenças de nosso dia a dia. A pandemia Covid 19 será longa, desde endemias localizadas, até por manifestação sem origem conhecida.
Precisamos de um protocolo que vise proteger o operador, seus assistentes, os pacientes e seus acompanhantes. Se estiver dentro de uma instituição, aconselhe-se com os responsáveis da CIH. Se estiver em sua clínica ou consultório, aja com a máxima atenção as possibilidades de haver uma contaminação direta ou cruzada, revendo seus procedimentos internos e substituindo os que não são adequados as possibilidades atuais de contaminação.
Temos a responsabilidade de orientar, de não sermos vetores e também de não sermos infectados.
Nunca se foi tão importante seguir os cuidados de limpeza e desinfecção dos locais e dos materiais utilizados nos procedimentos. A grande maioria deles nós já utilizamos, mas nunca é tarde para repassar e repensar.
A sala de exame deve ser cuidadosamente limpa a cada exame, principalmente aonde o paciente e o operador tiverem contato. Recomenda-se que os exames devam ser agendados mais espaçados, evitando encontros desnecessários na sala de espera. Oferecer máscara se necessário. Uso de álcool gel, luvas, máscara com barreira, limpeza de superfícies com álcool 70% ou solução de cloro, enfim todas as proteções possíveis devem estar à mão e serem utilizados entre um exame e outro.
Interrogatório específico para Covid 19 deve ser direcionado ao paciente já na marcação do exame. Deverá ser repetido antes do início do mesmo.
Quanto aos materiais:
Sondas de manometria: permanecem os cuidados já preconizados. Após o exame, lavagem com água e sabão, realizando-se junto a limpeza mecânica. Após, imersão em solução esterilizante, pelo tempo determinado pelo fabricante, limpeza dos canais e enxague exaustivo com água. A secagem deve ser com ar comprimido e a sonda acondicionada em embalagem plástica, selada até seu reuso.
pHmetria: O ideal seria utilização de cateter descartável de uso único. Algumas instituições já utilizam o cateter multiuso para um único exame. Aconselhamos que a principio todo cateter deve ser considerado de uso único. Talvez refazer os cálculos de custos e renegociar. Cateter de único uso, com sensor interno está sendo desenvolvido pelos fabricantes locais, mas não há ideia de custos ainda.
Caso não seja possível, limpeza mecânica após uso, água e sabão, nos fios e referência. Imersão do cateter em solução estéril, menos no plug de contato com o aparelho. Realizar bom enxague, secagem e guardar em embalagem plástica selada. Se possível, aguardar 6 dias para reuso. Algumas alternativas estão sendo desenvolvidas pelos fabricantes.
Suporte do gravador de pHmetria: Geralmente de couro, terão baixa durabilidade se submetidos à limpeza com solução de álcool ou cloro. Pensar em alternativas de proteção, como bolsa plástica transparente externa. Pode ser tipo Ziplock reforçado com dispositivo oclusivo extra.
Ao invés de alça, solicitar que o paciente traga um cinto, de preferência sintético ou em caso de utilização de alça, como a maioria são de nylon, poder-se-ia após o exame, deixar em solução do cloro a 10%, e realizar secagem no ambiente ou através de secadora. Haveria necessidade de unidades extras.
Finalmente, precisamos ter consciência de nossa responsabilidade.
Aceitamos opiniões e colaborações de todos os que puderem ajudar com soluções práticas para voltarmos ao trabalho de forma segura a todos. Responda a essa mensagem se quiser acrescentar.

Protejam-se!

RICARDO G. VIEBIG
SOCIEDADE BRASILEIRA DE MOTILIDADE DIGESTIVA e NEUROGASTROENTEROLOGIA
GESTÃO 2019-2020